O Terno vai além ao olhar para trás nos dois primeiros singles do quarto álbum do trio

(Foto: Thany Sanches / Divulgação)

Programado para a segunda quinzena deste mês de abril de 2019, em edição digital e em LP duplo, o quarto álbum do trio paulistano O Terno, <atrás/além>, tem sido anunciado como o disco que vai sintetizar a produção do grupo na primeira década de existência.

As audições dos dois primeiros sequenciais singles do álbum, Nada/Tudo e Pegando leve, sinalizam que o discurso escapa das retóricas geralmente infundadas das ações de marketing.

De fato, os dois singles unificam sons e tendências dos três álbuns anteriores do trio sem cair na repetição. As duas músicas são assinadas por Tim Bernardes, guitarrista e compositor que, na formação atual do Terno, está unido ao baterista Gabriel Basile e ao baixista Guilherme d’Almeida.

Capas dos singles 'Nada/Tudo' e 'Pegando leve', do grupo O Terno — Foto: Reproduções / Montagem G1

(Capas dos singles ‘Nada/Tudo’ e ‘Pegando leve’, do grupo O Terno — Foto: Reproduções / Montagem G1)

Formatado com produção musical de Tim Bernardes, o primeiro singleNada/Tudo, é valorizado pela opulência inusual do arranjo orquestral que combina violinos, trombones, vibrafone e souzafone com a tríade básica de guitarra, baixo e bateria.

É uma harmonização feita fora da cartilha sinfônica por Bernardes, autor do grandioso arranjo. A melodia enviesada sugere uma volta ao som menos pop dos dois primeiros álbuns do grupo.

“Hoje o nada vai dizer / Tudo que pode ser”, sintetizam versos da letra resignada entre evocação de verso de Charles Anjo 45 (Jorge Ben Jor, 1969) e citações de nomes de amigos da turma a que o próprio compositor se refere como “clubinho”. Nada/Tudo é quase um ‘ninguém solta a mão de ninguém’ sem pesar a mão.

Já o segundo singlePegando leve, faz jus ao título ao questionar com delicadeza o estressante ritmo frenético da juventude dos anos 2010. “Me cansam tantos hipsters e modernos de plantão”, canta Tim Bernardes com leveza angustiada que jamais acena para o que se convencionou chamar de música pop.

O Terno questiona o ritmo frenético da juventude no single 'Pegando leve' — Foto: Thany Sanches / Divulgação

(O Terno questiona o ritmo frenético da juventude no single ‘Pegando leve’ — Foto: Thany Sanches / Divulgação)

A marca orquestral dos arranjos do trio é menos visível em Pegando leve do que no single anterior Nada/Tudo, mas sobressai no último dos quase cinco minutos da gravação.

Enfim, tudo ainda pode mudar no balanço das horas, mas, a julgar por esses dois primeiros singles, parece que o Termo apresentará um quarto álbum tão relevante quanto o sublime disco solo de Tim Bernardes, Recomeçar (2017), sem repetir fórmulas dos álbuns anteriores do trio.

Tudo indica que a síntese sonora do álbum <atrás/além> conduzirá O Terno a um novo lugar de honra na cena da música brasileira contemporânea, olhando para trás, mas indo além.

Fonte: G1